Les
Éditions de l'Amateur (França) , a ASPM (França) e a Prefeitura da Cidade do
Rio de Janeiro apresentam:

A memória francesa no Rio
Depois da França, o Brasil é o país que reúne a maior coleção de peças forjadas nos ateliês do célebre Val d'Osne, berço da fundição artística francesa, situado na Haute-Marne, região de Champanhe. E dentre todas as cidades brasileiras, o Rio de Janeiro é, sem discussão, o guardião do acervo mais importante, seja por sua densidade, seja pela variedade.
Perto de 200 peças decoram a cidade. A delicadeza, a imponência e a beleza das chamadas Fontes d'Art estão em prédios, parques e praças do Rio. Nossa coleção inclui desde uma simples bica de ferro fundido, como a que existe no Alto da Boa Vista, até o monumental Chafariz do Monroe, que se encontra preservado na Cinelândia e leva a assinatura do escultor Mathurin Moreau, expoente do Val d'Osne.
Verdadeira febre na Europa do século XIX, as Fontes d'Art são o fruto do inusitado casamento da indústria com a arte. Nasceram de um dos mais bem sucedidos exemplos de reconversão da principal atividade da região de Haute-Marne, sustentada em 25 séculos de tradição no trabalho com o ferro. A criação da "arte em série" celebrizou grandes escultores. Além de Mathurin Moreau, James Pradier, Auguste Martin e Alfred Jacquemart são alguns dos artistas com obras espalhadas pelo Rio de Janeiro.
É certo que a influência francesa na cidade remonta a 1808, ano em que a família real portuguesa, para escapar dos exércitos de Napoleão, desembarcou no Rio com uma corte de 15 mil fidalgos. Foi a partir dali que a cidade europeizou-se, com a contribuição decisiva da Missão Artística Francesa de 1816, chefiada por Joachim Lebreton.
Mas é a Auguste Glaziou que o Rio de Janeiro deve a sua expressiva coleção de fundição artística. Convidado por D. Pedro II para reformar o Passeio Público, o botânico e paisagista bretão, que aqui chegou em 1858, foi o grande incentivador da importação de peças do Val d'Osne.
A começar pelas três estátuas alegóricas de Mathurin Moreau – A Primavera, O Verão e O Outono – que se encontram no Passeio Publico – e às quais em breve se juntará a figura O Inverno, que havia sido de lá retirada, por razões e em data desconhecidas, recentemente localizada.
O esforço de identificar e catalogar todas as peças existentes na cidade começou em 1992, quando a Association pour la Sauvegarde et la Promotion Métallurgique Haut-Marnais – ASPM fez os primeiros contatos com a nossa Fundação Parques e Jardins. O levantamento realizado por meio de convênio entre a instituição francesa e o órgão municipal do Rio de Janeiro recompõe uma página importante da história da cidade.
Este livro, que traz imagens belíssimas captadas pelas lentes de Cristina e Pedro Oswaldo Cruz, tem por mérito registrar este esforço. Com ele, a Prefeitura do Rio, fiel depositária deste excepcional patrimônio, recupera e valoriza a feição francesa da cidade, parte indissociável da identidade cultural do povo carioca.
Luiz Paulo Conde - Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro - Agosto de 2000
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